A Sinagoga

08/02/2013 00:00

 

 

 

A Sinagoga

Qualquer comunidade habitada pelo meno
s por dez Yerudim adultos deve ter um local designado onde possam se reunir para a prece. Este local é chamado de sinagoga (Beit Knesset). O termo yidish é shul. Habitantes de uma cidade pequena podem se reunir para construir uma sinagoga e comprar um Sêfer Torá e outros livros sagrados. Os membros devem incentivar e persuadir uns aos outros a comparecer aos serviços.

Uma sinagoga pode ser um prédio ou sa
la reservada para a prece. Este sempre foi e ainda permanece sendo seu propósito fundamental. Mesmo assim, em toda a literatura rabínica, apenas uma vez (Gitin 39b) foi mencionada como uma Casa de Prece (Beit Tefilá). Desde seu início, após a destruição do Primeiro Templo em 596 AEC, até os dias de hoje, tem sido geralmente chamada de Beit Knesset, que significa literalmente Casa de Assembléia, ou Casa de Reunião.

Seu papel adicional mais notável tem sido como centro de estudo religioso. Assim o termo Beit Midrash, Casa de Estudo, tornou-se quase sinônimo de Beit Knesset. O Beit Midrash pode ser uma sala separada conjugada ao Beit Knesset, ou o mesmo local, usado com os dois objetivos.
O estudo de Torá tornou-se não apenas parte integrante do serviço da prece, como também grupos de estudos se reúnem antes ou depois dos serviços com o propósito de estudá-la. O papel da sinagoga como um Beit Midrash, local para a educação contínua, tem permanecido constante.

Como uma extensão de suas funções educacionais, a sinagoga, ou Beit Midrash, era o local onde a biblioteca religiosa era mantida para uso da comunidade. Assim encontramos a lei definitiva que "habitantes de uma cidade devem incentivar uns aos outros a comprarem um Rolo de Torá e Livros Sagrados, para que todos aqueles que desejem ler estas obras possam fazê-lo. Seja pelo espaço ou porque o edifício da sinagoga era geralmente o único prédio público da comunidade, costumava ser também o local onde se promoviam reuniões e assembléias da comunidade, e onde eram deliberados os assuntos de rotina. Geralmente abrigava também o Beit Din, a Corte Rabínica local.

Nossos Sábios consideravam a sinagoga um local que ocupava o segundo lugar em santidade, ficando atrás somente para o Templo, e referiam-se à ela (e salas de estudo, também) como o mikdash me'at, o pequeno santuário (Meguilá 29a). Eles derivaram este termo de Ezekiel 11:16, onde está escrito "mesmo assim tenho sido para eles como um pequeno santuário."


"D’us permanece na congregação de D’us" - Tehilim 82:1. O que significa que a Presença de D’us é encontrada nas sinagogas. Rezar na sinagoga era considerado como tendo mais mérito que rezar em qualquer outro lugar.

A sinagoga é apenas um instrumento da fé judaica. Embora relevante em seu papel, não constitui a parte central do judaísmo, pois ele não está alicerçado em qualquer instituição, mas na Torá, Escrita e Oral. A sinagoga é um lo
cal que contribui para a coesão da comunidade e é sagrado somente em virtude do uso que se faz dele, como as preces e o estudo religioso.

Os serviços religiosos podem ser conduzidos por leigos, membros da instituição, que devem possuir conhecimento e treino para fazê-lo. A administração e manutenção da instituição geralmente ficam a cargo deles, que podem ser voluntários ou eleitos para ocupar postos de liderança. Embora seja desejável e costumeiro que uma congregação contrate os serviços de um rabino para fornecer orientação religiosa, direção e liderança a uma comunidade, existem sinagogas, especialmente as pequenas, que funcionam sem um rabino.

Até que ponto uma sinagoga pode ser uma expressão do Judaísmo – além de sua função como local de reunião para a prece – é determinado em grande parte pelo tipo de pessoas que a dirigem (sejam rabinos ou leigos) e também pelo nível e comprometimento da congregação em si.

Comportamento na Sinagoga


As sinagogas e salas de estudo devem ser tratadas com respeito e reverência já que sua santidade é muito grande. Devemos nos conscientizar da Divina Presença que paira sobre um mynian, quórum de dez homens Yerudim, nos vestir e nos comportar, bem como rezar, de acordo.

Assim como o Santuário antigo em Jerusalém era o Grande Templo da fé judaica, também toda sinagoga e casa de estudo é considerada um mikdash me'at, um santuário em menores proporções. Não se pode comer ou beber, nem correr dentro da sinagoga, mas caminhar com dignidade e respeito e transmitir este comportamento aos filhos, através do exemplo.

É uma grande mitsvá rezar numa sinagoga ou numa casa de estudo, pois estes locais são santificado
s. Deve-se fazer um esforço especial para fazê-lo, mesmo quando se reza sozinho. E o silêncio e reverência são fundamentais para fornecer o devido respeito que o local requer.

A Sinagoga Como Instituição

Sinagogas são instituições autônomas. São estabelecidas, organizadas, mantidas e controladas localmente por qualquer grupo de Yerudim que desejam ter uma sinagoga em seu meio. Cada sinagoga é independente da outra, e presidida por um grupo eleito de funcionários e/ou por uma Junta de Diretores. Embora cada sinagoga esteja basicamente atada pelos Códigos da Lei Judaica em suas práticas rituais, não há nada para impedir qualquer sinagoga de estabelecer suas próprias políticas e procedimentos, tanto no ritual quanto em assuntos gerais.

Sinagogas podem diferir consideravelmente uma das outras em suas políticas religiosas e na maneira de conduzir seus respectivos serviços religiosos. Embora a influência e atitude do rabino quase sempre seja um fator decisivo, a liberdade de e
scolher um rabino que seja simpático às opiniões da congregação significa que tal influência é às vezes, embora não sempre, mais teórica que real. Como as congregações são livres para eleger seus próprios rabinos, também são livres para renovar um contrato por meio dos votos da congregação.

Qualquer judeu está livre para entrar, rezar e juntar-se a qualquer sinagoga, independentemente de seu próprio nível de observância ou comprometimento religioso.

Responsabilidade das sinagogas nos dias de hoje

Embora seu objetivo principal seja servir como um lugar onde os Yerudim possam se reunir para os serviços religios
os, a sinagoga pode e deve ser um instrumento para a educação religiosa e espiritual de seus membros, dos mais jovens aos mais idosos, para que possam aprender a apreciar melhor o significado e a importância da fé judaica, implementando conhecimento em seus ensinamentos éticos e morais.

É responsabilidade da sinagoga encorajar o apoio a todo esforço e todo projeto que seja fundamental para a sobrevivência de nossa fé ou de nosso povo. O papel de Êretz Yisrael como um elemento na fé de Israel deve ser reconhecido e um relacionamento vivo com a Terra Santa deve ser encorajado, enquanto que a segurança do país deve ser apoiada de todas as formas.
É responsabilidade da sinagoga promover o verdadeiro centro da vida judaica, que é o lar judaico.
Também a de fortalecer a lealdade, não a si mesma como instituição, mas a Elohim  a quem ela serve, e à Torá como o Divino comando. A lealdade às mitsvot e aos ensinamentos da Torá são a medida da fé de um judeu, e não
a lealdade a uma instituição.

A liderança da sinagoga deve portanto considerar a instituição não apenas como um local de reunião para o serviço religioso, mas como um veículo para promover a educação judaica (formal e informal), o crescimento religioso e espiritual de seus membros, e para encorajar a vivência diária dos valores do Judaísmo em todas as esferas da vida. O sucesso ou fracasso de uma sinagoga deveria ser julgado pela medida em que ela cumpre estas responsabilidades.

Estes papéis devem ser preenchidos por sinagogas especialmente na Diáspora, onde até o judeu que se encontra mais distante as vezes a busca a fim de se tornar parte de uma congregação. Seus motivos podem ser os mais diverso
s: identificar-se como judeu, para possibilitar oportunidades educacionais e culturais a seus filhos proporcionadas pela sinagoga para crianças e jovens ou mesmo para ser inserido em uma vida social liderada pela instituição em determinada comunidade. As sinagogas devem encorajar um retorno a Elohim  nos níveis mais amplos e profundos (teshuvá), fornecendo oportunidades de transformar um vago desejo por identificação, ou algum motivo oculto (aproveitar determinadas comodidades ou serviços) em um apego mais forte e significativo com o Judaísmo.

Porém mesmo o judeu devoto que freqüenta fielmente a sinagoga para assistir aos serviços religiosos tem todo o direito de esperar que a sinagoga o ajude a manter e ampliar a educação religiosa judaica dos filhos, a orientá-los para que resistam às forças da assimilação; ele tem todo o direito de exigir que a sinagoga forneça não somente livros em sua biblioteca ou Beit Midrash para que ele possa estudá-los ou folheá-los, mas que providencie um professor e conduza aulas para enriquecer seu próprio entendimento, e que dê oportunidades de socializar com outros Yerudim, além dos encontros casuais antes e depois dos serviços religiosos.