SHEOL
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Sheol
Sheol, Xeol ou Seol, (pronunciado "Sheh-ol"), em Hebraico שאול (She'ol), é o "túmulo", ou "cova" ou "abismo"[1][2].
No Judaísmo She'ol[3] é o local de purificação espiritual ou punição para os mortos, um local o mais distante possível do céu. De acordo com a maior parte das fontes judaicas, o período da purificação ou punição é limitado a apenas doze meses e cada sábado é excluído da punição.[4] Após esse período, a alma irá acender ao Olam Ha-Ba, o mundo a vir, ou será destruída se for muito má[5] O local de purificação espiritual ou punição para os mortos maus não é chamado no Judaísmo de "Inferno", e sim por Gehinnom ou Sheol.[5] É um nome figurativo para um local onde se acreditava que eram reunidos os mortos.
A palavra "hades" (=submundo) substituiu "sheol" quando - por decreto - a escrituras hebraicas foram vertidas para o grego ( ver Septuaginta) na antiga Alexandria por volta do ano 200 A.C.
No Cristianismo Sheol é a destinação comum tanto dos homens corretos quando os incorretos, como apresentado no livro de Eclesiastes e no Livro de Jó. O Novo Testamento (escrito em grego) também usa "hades" para se referir ao mundo dos mortos. A crença de que aqueles no “sheol” esperavam a ressurreição tanto em conforto quanto em tormentos é refletida na história do Novo Testamento de Lázaro. Traduções inglesas das escrituras hebraicas traduziram de formas variadas o termo “sheol” por inferno"[6] ou por "o túmulo".[7]
Na Bíblia Hebraica, a palavra "sheol" ocorre mais de 60 vezes. Ela é usada mais freqüentemente nos Salmos e em outros livros sapienciais, além dos livros proféticos.
Jacó, não conformado com a relatada morte de José, exclama: "Eu descerei até meu filho enlutado no Sheol" (Livro do Gênesis 37:35).[8]
Outros exemplos desse uso:
Livro de Jó 7:9 "Assim como uma nuvem esvanece e some, aqueles que descem ao Sheol não voltarão."
Salmo 18:5-7 "5 Tristezas do Sheol me cingiram, laços de morte me surpreenderam. 6 Na angústia invoquei ao SENHOR, e clamei ao meu Deus; desde o seu templo ouviu a minha voz, aos seus ouvidos chegou o meu clamor perante a sua face..
Salmo 86:13: "Pois grande é a tua misericórdia para comigo; e livraste a minha alma das profundezas do Sheol”
Salmo 139:8: "8 Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no Sheol a minha cama, eis que tu ali estás também."
Livro de Jonas 2:2: “E disse: Na minha angústia clamei ao SENHOR, e ele me respondeu; do ventre do Sheol gritei, e tu ouviste a minha voz."
Livro dos Provérbios 30:16:"o Sheol, a madre estéril, a terra que não se farta d`água, e o fogo que nunca diz: Basta.”
O conceito hebraico é paralelo àquele que existia sobre o submundo sumério, para o qual desce Inanna.
Perspectiva Histórica
De acordo com os professores Stephen L. Harris e James Tabor, Sheol é um lugar de “vazio” que tem suas origens na Bíblia Hebraica (ou Talmud).
"Os antigos Hebreus não tinha idéia de uma alma imortal tendo uma vida completa além da vida, nem de nenhuma ressurreição ou retorno da morte. Seres humanos, como os animais do campo, são feitos de “pó da terra” e na morte eles retornam ao pó (Gênesis 2:7; 3:19). A palavra hebraica Alma (Nephesh, Psyche), tradicionalmente traduzida por “alma viva”, mas mais adequadamente compreendida como “criatura vivente” é a mesma para todas as criaturas viventes e nãos e refere a nada imortal... Todos os mortos descem ao Sheol, e lá eles jazem no sono juntos. Seja bom ou mau, rico ou pobre, escravo ou liberto (Jó 3:11-19). Ele é descrito como uma região “escura e profunda", "a cova," e"a terra do esquecimento", interrupção da vida (Salmos 6:5; 88:3-12). Embora em alguns testos o poder de Javé possa alcançar o Sheol (Salmos 139:8), a idéia dominante é a de que os mortos são abandonados para sempre. Essa idéia do Sheol é negativa em contraste com o mundo da vida e da luz acima, mas não há noção de julgamento ou recompensa e punição. Se se encara situações extremas de sofrimento no mundo dos vivos acima, como aconteceu com Jó, o Sheol pode ser visto como um alívio bem-vindo à dor - basta ver o terceiro capítulo de Jó. Mas, basicamente, ele é um tipo de “nada”, uma existência que é praticamente uma inexistência, na qual a sombra do antigo ser próprio sobrevive. (Salmos 88:10)."[9]
Harris partilha observações similares em seu “Compreendendo a Bíblia”: “o conceito de punição eterna não ocorre na Bíblia Hebraica, que usa o termo Sheol para se dignar uma estreita região subterrânea onde os mortos, bons e maus, subsistem apenas como sombras impotentes. Quando os escribas judeus helenistas traduziram a Bíblia para o grego, eles usaram o termo “hades” para traduzir Sheol, trazendo uma associação mitológica completamente nova à idéia de existência póstuma. Nos mitos da Grécia Antiga, o Hades, nomeado a partir da deidade sombria que o reinava, era originalmente similar ao Sheol hebraico, um submundo escuro no qual todos os mortos, a despeito do mérito individual, eram indiscriminadamente colocados."[10] Enquanto alguns crentes da Bíblia acreditam que ela contenha uma doutrina do Inferno (a despeito do que eles possam pensar sobre a natureza do Inferno), as visões típicas de Harris e estudiosos histórico-críticos da Bíblia é que a doutrina muda pelo Livro, de acordo com a época que refletem.
Etimologia
A origem do termo sheol é obscura.
Uma teoria é que o Sheol é conectado ao ša'al, a raiz da palavra q significa "enterrar" e é portanto relacionada ao termo šu'al, isso é, "raposa" ou "enterrador".[11]
O estudioso da Bíblia William Foxwell Albright sugere que a raiz hebraica para SHE'OL é SHA'AL, que significa "perguntar, interrogar, quetionar." John Tvedtnes, também um estudioso da Bíblia, conecta isso com o tema “experiência da proximidade da morte“, da interrogação da alma após cruzar o túnel.
No que diz origem não ao termo, mas ao conceito, a Jewish Encyclopedia (Enciclopédia Judaica) considera mais provável uma visão originada em conceitos animistas : "Com o corpo no túmulo permanece conectada a alma (como nos sonhos): os mortos enterrados em covas familiares continuam a ter comunhão (comp. Jer. xxxi. 15). O Sheol é praticamente uma sepultura familiar em larga escala. Sepultaras eram protegidas por portões e setas; logo, o Sheol era guardado de forma similar. Os compartimentos separados eram desenvolvidos para clãs separados, sectos, e famílias, distinções nacionais e de sangue continuando com efeito até a morte. Que o Sheol seja descrito como subterrâneo não é senão a aplicação de um costume de tirar fora pedras de pessagens levando ao subterrâneo para o enterro."[12]
Sheol na Literatura Intertestamental.
Livros deuterocanônicos.
Em Eclesiásticos a visão do Sheol/Hades é similar àquela de Eclesiastes: "Quem irá louvar o mais Alto nos Céus, como fazem aqueles que estão vivos e agradecem? Dos mortos, como daqueles que não existem, o agradecimento cessou; Aquele que está vivo canta a glória do Senhor. (Eclesiásticos 7:27-28)
Manuscritos do Mar Morto
Ainda há debates a respeito das visões da comunidade de Qumran em relação ao Hades, e se seus textos refletem uma visão consistente.[13]
Pseudoepígrafos
Visitas ao Hades são um tema comum de vários pseudoepígrafos. Por exemplo:
O Livro de Enoque (160 a.C.) presumivelmente registra a visão de Enoque do cosmos. O autor descreve o Sheol como dividido em quatro seções: uma onde os santos fiéis aguardam o Dia do Julgamento, uma onde os bons moderados aguardam sua recompensam, outra onde os maus são punidos e aguardam seu julgamento na ressurreição, e a última onde os maus que não tem perspectiva de ressurreição sofrem tormentos.
OApocalípse de Sofonías (1000 a.C. - 70 d.C.) também representa o Sheol.
Notas
1.↑ Strong's Hebrew and Greek Dictionaries and Strong's Concordance
2.↑ "Palavra hebraica de etimologia incerta (ver Sheol, Visão crítica), sinônimo de “cova“, "abandono" e destruição e talvez "tehom" (abismo)." SHEOL websourced 02-10-2010.
3.↑ Search Results. Página visitada em 2 de Abril de 2010.
4.↑ "No judaísmo o local de punição é referido por Sheol." HELL - Judaism 101 websourced 02-10-2010.
5.↑ a b Search Results. Página visitada em 2 de Abril de 2010.
6.↑ e.g. King James Version
7.↑ e.g. New International Version.
8.↑ "Graves were protected by gates and bolts; therefore Sheol was likewise similarly guarded. The separate compartments are devised for the separate clans, septs, and families, national and blood distinctions continuing in effect after death. That Sheol is described as subterranean is but an application of the custom of hewing out of the rocks passages, leading downward, for burial purposes." SHEOL - JewishEncyclopedia websource 02-10-2010.
9.↑ What the Bible says about Death, Afterlife, and the Future, James Tabor
10.↑ Understanding the Bible: the 6th Edition, Stephen L Harris. (McGraw Hill 2002) p 436.
11.↑ Brief Communications. "The Original Meaning of Sheol." Journal of Biblical Literature, Vol. 36, No. 3/4, (1917): 258.
12.↑ Sheol
13.↑ Maxwell J. Davidson Angels at Qumran: a comparative study of 1 Enoch 1-36, 72-108 and sectarian Writings from Qumran. JSP Supplement. Series 11. Sheffield: JSOT Press, 1992. p.92
14.↑ James H. Charlesworth, The Old Testament Pseudepigrapha Doubleday, 1983
Alexandria
Alexandria (em árabe: الإسكندرية, transl. al-Iskandariyya; em árabe egípcio: اسكندريه, transl. Eskendereyya; em copta: Ⲣⲁⲕⲟⲧⲉ, transl. Rakotə; em grego: Ἀλεξάνδρεια, transl. Aleksándria) é uma cidade do Egito; com uma população de cerca de 4,1 milhões de pessoas, é a segunda maior cidade do Egito, e o maior porto do país, servindo 80% das importações e exportações da cidade. Além disso, é um grande ponto turístico.
Alexandria se estende por 32 quilômetros na costa mediterrânica do centro-norte do Egito. É o local onde fica a famosa Biblioteca de Alexandria e é um importante centro industrial por causa do gás natural da cidade e dos poços de petróleo em Suez, uma outra cidade egípcia. Alexandria também foi um grande ponto de encontro entre a Europa, a África e a Ásia, porque a cidade beneficiou da ligação entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho.
Nos tempos antigos, Alexandria foi uma das cidades mais importantes do mundo. Foi fundada em torno de um pequeno "vilarejo" em 331 a.C. por Alexandre, o Grande. Permaneceu como capital do Egito durante mil anos, até à conquista muçulmana do Egito, quando a capital passou a ser Futsat (que foi depois incorporada no Cairo).
Alexandria era conhecida pelo Farol de Alexandria (uma das sete maravilhas do mundo antigo), pela Biblioteca de Alexandria (a maior do mundo antigo) e pelas catacumbas de Kom el Shoqafa (uma das sete maravilhas do mundo medieval). A arqueologia marinha em Alexandria estava em curso no porto da cidade em 1994, e tem revelado detalhes de Alexandria antes da chegada de Alexandre, quando aí existia uma cidade chamada Rhakotis, no Período Ptolomaico.
Antiguidade
Em 332 a.C., o Egito estava sob domínio persa. Nesse mesmo ano, Alexandre, o Grande entrou triunfalmente como vencedor do rei persa Dario III e os egípcios aceitaram-no, aclamando-o como libertador. Há que ter em conta que no Egito havia desde há muito tempo uma grande quantidade de colónias gregas, e que portanto os gregos não eram considerados como estrangeiros.
No ano seguinte, a cidade que levaria o seu nome foi fundada no delta do Nilo, sobre um antigo povoado chamado Rakotis habitado por pescadores. A escolha do local foi muito afortunada, pois estava ao abrigo das variações que o rio Nilo apresentava, e, por outro lado, suficientemente perto do rio para para que se pudesse chegar através das suas águas às mercadorias destinadas ao porto, através de um canal que unia o rio com o lago Mareotis e o porto.
Recriação em 3D do que seria o Farol de Alexandria.
O lugar escolhido ficava frente a uma ilha chamada Faros, que com o tempo e as múltiplas melhorias que se fariam ficaria unida por um longo dique à cidade de Alexandre. O arquiteto que realizou esta obra chamava-se Dinócrates de Rodes. O dique tinha um comprimento de sete estádios (185 m é a medida de um estádio), pelo que se lhe chamou Heptastadio (Επταστάδιο). A construção do dique formou dois portos, de ambos os lados: o Grande Porto, a leste, o mais importante; e o Porto do Bom Regresso (Εύνοστος), a oeste, que é o que ainda hoje se usa.
Nos amplos molhes do Grande Porto atracavam barcos que tinham sulcado o mar Mediterrâneo e as costas do oceano Atlântico. Traziam mercadorias que se empilhavam nos cais: lingotes de bronze da Hispânia, barras de estanho da Bretanha, algodão das Índias, sedas da China. O famoso farol construído na ilha de Faros por Sostral de Cnido, em 280 a. C., dispunha na alta cúspide de um fogo permanentemente alimentado que guiava os navegantes, até 1340, quando foi destruído.
O arquiteto Dinócrates ocupou-se também do traçado da cidade e fê-lo segundo um plano hipodâmico, sistema que se vinha utilizando desde o século V a.C.: uma grande praça, uma rua maior com trinta metros de largura e seis quilómetros de comprimento que atravessava a cidade, com ruas paralelas e perpendiculares, cruzando-se sempre em ângulo reto. Construíram-se bairros em quadrícula. As ruas tinham condutas de água para escoamento.
Administrativamente era dividida em cinco distritos, cada um dos quais tinha como nome uma das cinco primeiras letras do alfabeto grego. Quando Alexandre saiu do Egito para continuar as suas lutas contra os persas deixou como administrador de Alexandria Cleómenes de Naucratis.
Alexandre Magno (Sarcófago, Museu Arqueológico de Istambul).
Alexandria foi uma cidade opulenta. Os Ptolomeus construíram um palácio de mármore com um grande jardim no qual havia fontes e estátuas. Do outro lado desse jardim havia outro edifício construído em mármore a que se chamava Museu (μυσειoν). Foi uma inovação do rei Ptolomeu I Sóter e nele se reunia todo o saber da época. O museu tinha uma grande biblioteca. Perto deste edifício erguia-se o templo de Serápis, a nova divindade greco-egípcia. No centro da cidade encontravam-se a Assembleia, as praças, os mercados, as basílicas, os banhos, os ginásios, os estádios e demais edifícios públicos necessários para os costumes da época.
Os habitantes desta magnífica cidade eram na sua maioria gregos de todas as procedências. Também havia uma colónia judaica e um bairro egípcio, de pescadores, o mais pobre e abandonado da grande urbe.
Alexandria cedo se converteria no centro da cultura grega na época helenística e contribuiu para helenizar o resto do país de tal modo que quando chegaram os romanos todo o Egito era bilíngue. A arte e a arquitetura eram os únicos campos que se mantinham propriamente egípcios. Tão importante chegou a ser e tão grandiosa que a chamaram Alexandria ad Aegyptum,ou sejas, "Alexandria que está perto do Egito", perdendo importância o resto do país.
Escola de Alexandria
"A Escola de Alexandria durou vários séculos (do final do século IV a.C. até o século VII d.C.), e durante esse período teve alguns momentos de glória. (...). Alexandre, o Grande morreu no ano de 323 a.C., e nessa data se estabeleceu o início da dinastia dos Ptolomeus (iniciada por Ptolomeu I, um general de Alexandre que proclamou a si mesmo Imperador). O maior promotor da Escola, entretanto, foi Ptolomeu II (que governou o Egito de 285 a.C. a 246 a.C.). Ele é tido como o protetor das letras e um administrador eficiente (a ele se atribui a construção do farol – tido como uma das maravilhas do mundo antigo). Foi depois dele, em 145 a.C., que ocorreu a primeira depredação da Escola. Ela foi saqueada, como represália, em uma guerra civil. Reestruturada, reencontrou um novo auge, e também o seu infortúnio, no século I a.C.. Nesse período, foi Cleópatra (69 a.C.-30 a.C.), e que foi a última linhagem dos Ptolomeus quem governou o Egito" [1].
Alexandria romana
Júlio César tomou a cidade em 46 a.C., para pôr fim à guerra dinástica entre Cleópatra e o seu irmão e co-regente Ptolomeu XIII, e durante a batalha no mar ocorreu o incêndio de Alexandria, no qual arderam alguns sítios de armazenamento de livros no porto, mas não a Grande Biblioteca. Depois de assegurar que Cleópatra estava no trono egípcio e casada com o seu irmão mais novo, Ptolomeu XIV, Júlio César regressou a Roma. Durante a guerra que surgiu depois da morte de César, Marco António viajou para o Egito para convencer a rainha-faraó a apoiá-lo. A entrada do Egito na guerra implicou a tomada da cidade em 30 a.C. por Augusto, que converteu o Egito em propriedade particular sua, acabando assim com a independência do país.
Teatro romano em Alexandria.
Os romanos converteram o país no celeiro do Império, o que aumentou a importância da cidade, em cujos armazéns deveria ser depositada toda a colheita: todos os anos devia enviar-se para Roma uma quantidade de trigo que era equivalente à terça parte do seu abastecimento, quantidade e preço que era fixo na bolsa de Alexandria pela annona egípcia. Para manter isolado o país, proibiu-se o uso da moeda romana, que devia ser trocada pela moeda local de Alexandria. Todas estas disposições converteram a cidade numa próspera metrópole com várias centenas de milhares de habitantes, centro cosmopolita e centro financeiro da zona.
Durante o período romano Alexandria sofreu numerosos desastres: em primeiro lugar, a chamada Guerra Bucólica (172-175); depois foi saqueada por um capricho de Caracala (215), e destruída por Valeriano em 253), pelas tropas de Zenóbia, rainha de Palmira, em 269, e por Aureliano em 273. Este último saqueou e destruiu completamente o Bruchion, desastre que danificou o "Museu" e a Biblioteca. Diz-se que naquela ocasião os sábios gregos se refugiaram no Serapeu, que nunca sofreria com tais desastres, e outros emigraram para Bizâncio. Finalmente, em 297, a revolta do usurpador Domitius Domitianus acabou com Alexandria tomada e saqueada pelas tropas de Diocleciano, ao fim de um cerco de oito meses (vitória comemorada pelo chamado "Pilar de Pompeu"). Dizia-se que depois da capitulação da cidade, Diocleciano ordenou que o massacre continuasse até que o sangue chegasse aos joelhos do seu cavalo, livrando-se os alexandrinos da morte quando Diocleciano caiu do cavalo, ao resvalar num charco de sangue.
Além disso, houve nessa época vários sismos violentos, tendo sido o de 21 de julho de 365 particularmente devastador. Segundo as fontes, houve 50 000 mortos em Alexandria, e a equipa de Franck Goddio, do Instituto Europeu de Arqueologia Submarina, encontrou no fundo das águas do porto centenas de objetos e pedaços de colunas que demonstram que pelo menos cerca de vinte por cento da cidade dos Ptolomeus foi afundada, incluindo o Bruchion, suposto enclave da Biblioteca.
Em 616 os persas de Cosroes II tomaram a cidade.
Os judeus de Alexandria
Os papiros de Elefantina nos informam a comunidade judia que se instalou em Alexandria depois da tomada de Jerusalém em 586 a.C. por Nabucodonosor II, já que existem dados de assentamento na época de Moisés.
Desde os reis ptolomaicos, os judeus da Diáspora se estabeleceram na cidade atraídos pelo Museu, protegidos pela tolerância do mundo pagão em matéria de diversidade religiosa, e criaram um foco intelectual ativo com um centro de estudos hebraicos.
Os judeus gozavam de todos os direitos civis, como qualquer cidadão grego, mas mantinham as prerrogativas concedidas pelos reis persas, e constituíam uma comunidade política independente e autónoma, limitada apenas pela subordinação aos Ptolomeus primeiro e aos romanos depois. À sua frente tinham os cargos das comunidades da diáspora: arcontes, que regiam os assuntos administrativos e judiciais, e o arquisinagogo a quem correspondia tudo o referente ao culto, além de um etnarca com grandes poderes civis que lhe permitiam tratar com os funcionários do Egito ou do Império Romano. Constituíram assim um grupo étnico apartado da população de Alexandria, com um isolamento linguístico, económico e cultural que lhes permitiu conservar a sua raça e religião, fiéis à lei e às tradições ancestrais.
Os romanos, que antes do Império tinham sido aliados dos judeus, outorgaram-lhes mais alguns privilégios, como a celebração do shabat. No entanto, o sentimento antijudaico foi alentado pelos escritores gregos alexandrinos, que os acusavam de exclusivismo, grosseria e deslealdade.
Provavelmente os egípcios eram irritados pela tolerância que o Império tinha com os judeus, e não faltava entre eles o descontentamento pelo domínio estrangeiro, primeiro grego e depois romano. Este ressentimento traduziu-se numa xenofobia que terminou por se descarregar contra o povo hebreu. Isto, mais a inveja social frente ao florescimento da colectividade, permitiu as primeiras agressões escritas, como as de Apião, iniciador das agitações antijudaicas que em 38 provocaram dezenas de milhares de judeus assassinados. Duas personagens enfrentaram Apião: Flávio Josefo, que intitulou uma das suas obras Contra Apião, e o filósofo Filón de Alexandria, que chefiou uma delegação para falar com Calígula, tentando acabar com a violência na cidade.
Escola judaica de Alexandria
Septuaginta (Código alexandrino).
Muitos judeus, helenizados na época macedónia, tiveram uma grande influência sobre os seus correlegionários na época dos selêucidas e asmoneus. Traduziram para grego a Bíblia hebraica , a chamada versão dos setenta ou Septuaginta nos séculos III a.C. e II, além de produzir uma abundante literatura hebraica em língua grega: epopeias, dramas, obras moralizantes. As mais conhecidas são a Carta de Aristeia, os Oráculos sibilinos, e o Livro da Sabedoria de Salomão. Entre os autores conhecidos, pode citar-se Eupolemo, Artipon Demetrio, Aristeu e Fílon de Alexandria.
Os judeus na Alexandria do século XX
No início da década de 1940, depois de séculos de convivência relativamente pacífica como dhimmíes, os judeus começaram a sofrer perseguições em todo o Egipto, instigados pelo líder palestino Amin al-Husayni. Depois da independência de Israel e a subsequente guerra israelo-árabe de 1948, e tal e como sucedeu nos demais países árabes, os cerca de cem mil judeus egípcios ficaram sob suspeita e a hostilidade contra eles aumentou. A situação agravou-se ainda mais depois da crise do Suez: cerca de 25 000 judeus emigraram. A maior parte se refugiou na vizinha Israel, embora outros emigraram para França e América. Em poucos anos extinguiu-se a presença milenar de judeus no Egipto, incluídas comunidades judias antiquíssimas como a de Alexandria, muito anteriores à arabização e islamização dessas terras.
O cristianismo
Arte copta: Arcanjo São Miguel.
Uma tradição muito antiga assegura que o primeiro cristão que chegou a Alexandria para predicar a nova religião foi São Marcos. Este sucedia no ano 61 de nossa era. A mesma tradição conta que o primeiro cristão convertido foi Aniano, de ofício, sapateiro. São Marcos curou-lhe a ferida de uma mão e ao mesmo tempo falou-o do significado do cristianismo. Desde esses tempos de predicação, os cristãos de Alexandria e do resto do Egito mantiveram uma grande tradição evangélica. São Marcos foi perseguido sob o mandato do imperador Nero que no ano 62 foi martirizado e morto. Desde então até a época do imperador Trajano (começo do século II), os cristãos tiveram que ocultar suas crenças, ameaçados pelas perseguições. A partir deste momento se permitiu com tolerância estender-se por toda a cidade de Alexandria e pouco a pouco, ao longo de todo o vale do Nilo.
No século II, Panteno e, posteriormente, Clemente de Alexandria e seu discípulo Orígenes estabeleceram nesta cidade um verdadeiro seminário de teólogos, até tal ponto que o resto da cristandade os olhava com certo receio. É o que se conhece como Escola Catequética de Alexandria. Ao chegar o século IV, com o imperador Constantino I o Grande; existiam graves dissenções cristãs no Norte da África e em Alexandria. As tensões com o resto da comunidade cristã conduziram ao cisma com a aparição demasiada do presbítero Ário e sua doutrina o arianismo. Por esta razão, o imperador convocou o concílio de Niceia, onde se estabeleceram as bases do credo (declaração resumida da fé cristã).
Por outra parte, se desencadeou uma aberta rivalidade entre as duas cidades mais importantes do momento: Constantinopla e Alexandria. Esta rivalidade afetou bastante aos eternos debates teológicos sobre a natureza ou naturezas de Cristo. Era a “guerra” entre os monofisitas e os ortodoxos da Calcedônia.
Porém as lutas e disputas entre cristãos continuaram sem retificação e já no século VI, no ano 553, no segundo concílio de Constantinopla, com o imperador romano Justiniano I à frente, foi declarada herética a ortodoxia dos cristãos de Alexandria que seguiam enfrentando aos cristãos de Calcedônia. Nos últimos anos de mandato deste imperador, os monofisitas da Síria começaram a organizar sua igreja separada do resto dos cristãos, com uma estrutura própria.
Quando o povo árabe muçulmano chegou ao plano de conquista do Egito no ano 641, deram o nome de qubt ao cristão de Alexandria. Esta é a palavra que conhecemos como copto. O símbolo da cruz de Cristo começou a se usar em Alexandria, entre os cristãos coptos. Foi um costume que nasceu ali; o qual se sabe que não existia nas catacumbas nem no lábaro de Constantino que levava um cristograma.
O Islamismo
Mesquita de Attarina.
Alexandria seguia sendo uma das maiores metrópoles mediterrâneas no momento da conquista muçulmana. Seu patriarca, Ciro, capitulou ante os invasores em abril de 641, ao ser derrotadas as forças imperiais locais. Contudo, o governo imperial não reconheceu a capitulação, e os seus habitantes alçaram-se contra os muçulmanos. Após 14 meses de assédio, a cidade foi conquistada pelos muçulmanos em finais de 642. O historiador Eutíquio cita uma carta escrita a 22 de dezembro de 642, na qual o comandante muçulmano Amr ibn al-As, ao entrar na cidade, dirigiu-se ao segundo sucessor de Maomé, o califa Omar ibn al-Khattab e fez um inventário do encontrado na cidade de Alexandria: "4 000 palácios, 4 000 banhos, 12 000 mercadores de azeite, 12 000 jardineiros, 40 000 judeus e 400 teatros e lugares de espairecimento". O cronista Ibn al-Kifti afirmou na sua Crônica dos sábios que naquele momento foi destruída a Grande Biblioteca. Embora os árabes pudessem ter destruído numerosos livros, o certo é que nem a Grande Biblioteca nem a biblioteca do Serapeu existiam já naquele tempo, vítimas das guerras civis entre romanos, dos desastres naturais e o fanatismo dos coptas.
Uma frota imperial bizantina desembarcou na cidade a princípios de 645 para reconquistar o Egito, mas o exército que transportava foi derrotado pelas superiores forças árabes, e acabou por se retirar. Após um novo e longo assédio, em 646 os árabes tomaram a cidade por terceira vez, destruindo-a em grande parte para evitar que os bizantinos voltassem a entrincheirar-se nela pela via marítima. Finalizaram assim 975 anos de pertença ao mundo greco-latino.
Entre 811 e 827, a cidade esteve nas mãos de piratas andalusies, de certa forma antecedentes dos almogávares, para retornar depois às mãos árabes.
Em 828, o cadáver de São Marcos foi roubado da cidade por navegantes venezianos, que o depositaram na Basílica de São Marcos, construída expressamente para albergar os seus restos.
Após um longo declínio, Alexandria ressurgiu como grande metrópole à época das Cruzadas e viveu um período florescente graças ao comércio, com convênios com os aragoneses, genoveses e venezianos que distribuíam os produtos chegados do Oriente através do mar Vermelho. Em 1365 a cidade foi brutalmente saqueada após ser tomada pelos cruzados, dirigidos pelo rei Pedro do Chipre. Nos séculos XIV e XV, Veneza eliminou a competência e o seu armazém alexandrino tornou-se o centro da distribuição de especiárias até os portugueses abrirem a rota do Cabo em 1498, data que marca o declínio comercial, agravado pela invasão turca. Quando Napoleão entrou na cidade, era uma povoação meio arruinada, de apenas 7 000 habitantes. Mehemet Ali reconstruiu-a no século XIX, tornando-se novamente no grande porto egípcio. A frota britânica bombardeou o porto em 1882, o qual provocou um grande incêndio e o posterior saque das ruínas por parte dos beduínos. Ao cabo de um mês desembarcou um grande exército britânico que restaurou a ordem e deu começo o protetorado britânico sobre o Egito.
Alexandria em 1681.
Alexandria moderna
Alexandria durante a noite.
Septuaginta
Septuaginta é o nome da versão da Bíblia hebraica para o grego koiné, traduzida em etapas entre o terceiro e o primeiro século a.C. em Alexandria.
Dentre outras tantas, é a mais antiga tradução da bíblia hebraica para o grego, língua franca do Mediterrâneo oriental pelo tempo de Alexandre, o Grande.
A tradução ficou conhecida como a Versão dos Setenta (ou Septuaginta, palavra latina que significa setenta, ou ainda LXX), pois setenta e dois rabinos trabalharam nela e, segundo a história, teriam completado a tradução em setenta e dois dias.
A Septuaginta foi usada como base para diversas traduções da Bíblia.
A Septuaginta inclui alguns livros não encontrados na bíblia hebraica. Muitas bíblias da Reforma seguem o cânone judaico e excluem estes livros adicionais. Entretanto, católicos romanos incluem alguns destes livros em seu cânon e as Igrejas ortodoxas usam todos os livros conforme a Septuaginta. Anglicanos, assim como a Igreja oriental, usam todos os livros exceto o Salmo 151, e a bíblia do rei James em sua versão autorizada inclui estes livros adicionais em uma parte separada chamada de Apocrypha.
A Septuaginta foi tida em alta conta nos tempos antigos. Fílon de Alexandria e Flávio Josefo consideravam-na divinamente inspirada. Além das traduções latinas antigas, a LXX também foi a base para as versões em eslavo eclesiástico, para a Héxapla de Orígenes (parte) e para as versões armênia, georgiana e copta do Antigo testamento. De grande significado para muitos cristãos e estudiosos da Bíblia, é citada no Novo Testamento e pelos Padres da Igreja. Muito embora judeus não usassem a LXX desde o século II AD recentes estudos acadêmicos troxeram um novo interesse sobre o tema nos estudos judaicos. Alguns dos pergaminhos do Mar Morto sugerem que o texto hebraico pode ter tido outras fontes que não apenas aquelas que formaram o texto massorético. Em vários casos, estes novos textos encontrados estão de acordo com a LXX. Os mais antigos códices da LXX (Vaticanus e Sinaiticus) datam do século IV AD.
Controvérsia
Há controvérsia quanto à veracidade de que a Septuaginta tenha mesmo existido como uma versão pré-cristã do Velho Testamento em grego, pois segundo alguns estudiosos nunca foi encontrada nenhuma versão do Velho Testamento em grego datando antes de Orígenes (185 — 253 d.C).[1] O Dr. H. D. Williams, vice-presidente da Dean Burgon Society[2] publicou um estudo detalhado, no qual defende que a Septuaginta nunca existiu e não passa de um mito.[3]
Mesmo Dr. Jones e Dr. Silva, defensores da Septuaginta e escritores do prominente livro Invitation to Septuagint (Convite à Septuaginta), expressam, em duas ocasiões, a fragilidade que cerca o assunto:[4]
a) "The reader is cautioned, therefore, that there is really no such thing as the Septuagint" (O leitor é advertido, portanto, que na verdade não existe uma 'Septuaginta')
b) "Strictly speaking, there is no such thing as the Septuagint. This may seem like an odd statement in a book entitled Invitation to the Septuagint, but unless the reader appreciates the fluidity and ambiguity of the term, he or she will quickly become confused by the literature." (Estritamente falando, não existe uma 'Septuaginta'. Esta parece até uma declaração estranha num livro chamado Convite à Septuaginta, mas a menos que o leitor compreenda a fluidade e ambiguidade do termo, ele ou ela irá se confundir rapidamente pela literatura.).
Pró Septuaginta
Vários estudos atestam que os Apóstolos e Evangelistas usaram a Septuaginta, a Sociedade Bíblica do Brasil afirma que "pois, como se sabe muitas citações (e alusões) do Antigo Testamento no Novo Testamento procedem diretamente da clássica versão grega".[5] E que das 350 citações que o Novo Testamento faz do Velho Testamento, pelo menos 300 provêm da versão grega.[5]
Exemplos de trechos referentes a Septuaginta podem ser encontrados no Evangelho segundo Mateus, por exemplo, onde Jesus em resposta ao diabo diz:[5]
"Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus." Mt 4, 4.
Jesus referiu-se a Deuteronômio 8,3, onde é usada é "da boca do Senhor" enquanto a Septuaginta traz "da boca de Deus".[5]
Criação do texto
De acordo com o historiador judeu Flávio Josefo, sábios judeus traduziram a Torah para o grego koiné no séc. III a.C.[6] Outros livros foram traduzidos ao longo dos dois séculos seguintes. Não é claro quando ou onde cada tradução foi realizada. Alguns livros podem inclusive ter sido traduzidos mais de uma vez, configurando diferentes versões e posteriormente revisados.[7] A qualidade e o estilo dos diferentes tradutores também variavam consideravelmente de livro a livro, indo da tradução literal, à de paráfrase e à interpretativa. De acordo com a avaliação de um estudioso "o Pentateuco foi razoavelmente bem traduzido, mas o resto dos livros, especialmente os poéticos, foram em geral mal feitos e contém mesmo alguns absurdos".[8]
A medida que o trabalho de tradução gradualmente progredia e novos livros eram adicionados à coleção, a abrangência da Bíblia grega passou a ficar um tanto indefinida. O Pentateuco sempre manteve a sua preeminencia como a base do Cânon, mas a coleção de livros proféticos (a partir dos quais os Neviim foram selecionados) teve sua composição alterada por ter vários escritos hagiográficos nele incorporados. Alguns dos escritos mais recentes, os chamados anagignoskomena, em grego, não estão incluídos no Cânon judaico. Dentre estes livros estão os Livros dos Macabeus e o Eclesiástico. Além disso, a versão da LXX de algumas obras, como o Livro de Daniel e o Livro de Ester, são mais longos do que aqueles encontrados no texto massorético.[9] Alguns livros posteriores, como o Livro da Sabedoria, II Macabeus, entre outros, aparentemente já foram compostos em grego e não em hebraico.[10]
A autoridade do grupo mais extenso de "escritos", a partir dos quais se formou o ketuvim, ainda não havia sido determinada, apesar de que algum tipo de processo seletivo deve ter sido empregado, uma vez que a LXX não inclui outros documentos judaicos bem conhecidos como o Livro de Enoque, o Livro dos Jubileus e outros escritos que atualmente são parte da Pseudepigrafia. Não é sabido quais foram os critérios usados para determinar o conteúdo da LXX além da "Lei e dos Profetas", expressão usada muitas vezes no Novo Testamento.
Nome e designação
A Septuaginta tem seu nome vindo do latim Interpretatio septuaginta virorum (em grego: ἡ μετάφρασις τῶν ἑβδομήκοντα, transl. hē metáphrasis tōn hebdomēkonta), "tradução dos setenta intérpretes". A palavra septuaginta,[11] acrescenta mais detalhes: "No entanto, não foi até o tempo de Agostinho de Hipona (354-430 dC) que a tradução grega das escrituras judaicas veio a ser chamado pela septuaginta termo latino [70 ao invés de 72]. Em sua Cidade de Deus 18,42, enquanto repetindo a história de Aristeu com enfeites típicos, Agostinho acrescenta o comentário: "É a tradução que agora se tornou tradicional para chamar a Septuaginta" ... [Latin omitido] ... Agostinho, portanto, indica que este nome para a tradução grega das escrituras foi um desenvolvimento recente. Mas ele não oferece nenhuma pista sobre quais os possíveis antecedentes levou a este desenvolvimento:
Predefinição
Predefinição: Bibleverse, [Antiguidades 12,57, 12,86] Josefo, ou de uma elisão. ... Este nome Septuaginta parece ter sido desenvolvido do quarto para o quinto século. "[11].".[12]
O título latino se refere ao relato legendário contido na pseudepigráfica Carta de Aristeias em que o rei do Egito Ptolomeu II Filadelfo pede a setenta e dois sábios judeus que traduzam a Torah para o grego, com o fim de incluí-la na Biblioteca de Alexandria.[13]
Uma versão posterior da lenda, narrada por Fílon de Alexandria, afirma que apesar de os tradutores terem sido mantidos em salas separadas, todos eles produziram versões idênticas do texto em setenta e dois dias. Apesar desse relato ser historicamente implausível, sua redação traz à tona e desejo dos sábios judeus da época de apresentar a tradução como divinamente inspirada.[13] Uma versão desta lenda é encontrada no Tratado Megillah do Talmude Babilônico (páginas 9a-9b), que identifica especificamente quinze traduções pouco usuais feitas por eruditos. Somente duas dessas traduções são encontradas no texto da LXX que chegou até nós.
Edições impressas
Todas as edições impressas da Septuaginta são derivadas de três antigas cópias.
- A Editio princeps é a Bíblia Poliglota Complutense, baseada em manuscritos atualmente perdidos, é considerada bastante próxima aos mais antigos manuscritos[14]
- A edição aldina publicou-se em Veneza em 1518. O texto aproxima-se mais do Codex B do que do complutense. O editor não os especifica que manuscritos usou. Foi reimpressa diversas vezes.
- A edição mais importante é a romana ou sistina, que reproduz exclusivamente o Codex Vaticanus Foi publicada pelo Cardeal Caraffa, com a ajuda dos vários peritos, em 1586, autorizado pelo Papa Sisto V, para ajudar nas revisões em preparação da Vulgata Latina, requisitada pelo Concílio de Trento. Transformou-se num repositório de textos do Antigo Testamento grego e teve muitas edições novas, tais como o de Holmes e de Pearsons (Oxford, 1798-1827), e as sete edições de Constantin von Tischendorf, que se publicaram em Leipzig entre 1850 e 1887, sendo que os últimos dois, publicou-se após a morte do autor na revisão da Nestle, e as quatro edições do Henry Barclay Swete (Cambridge, 1887-95, 1901, 1909), etc;
- A edição de Grabe foi publicada em Oxford, 1707 a 1720, e reproduzida, de maneira incompleta no Codex Alexandrinus de Londres. Para edições parciais, veja Vigouroux, “Dict. de la Bible”, sqq 1643.
Referências
- ↑ The Christian's handbook of manuscript evidence, 1997, Dr. Peter S. Ruckman
- ↑ Dean Burgon Society [1]
- ↑ Expondo a Farsa da Septuaginta, [2]
- ↑ Invitation to Septuagint, 2000, Dr. Jones and Dr. Silva
- ↑ a b c d Lima, Alessandro Ricardo. O Cânon Bíblico: A Origem da Lista dos Livros Sagrados (em português). 1ª ed. Brasília: [s.n.], 2007. 125 p. pp. 22. ISBN Página visitada em 26/02/11
- ↑ Josephus, Flavius, Antiquities of the Jews, 12.2.11-15; Whiston, William; The Complete Works of Josephus; Hendrickson Publishers, (Nashville, Tennessee, 1987); ISBN 0-913573-86-8
- ↑ Joel Kalvesmaki, The Septuagint
- ↑ Sir Godfrey Driver, Introduction to the Old Testament of the New English Bible (1970)
- ↑ Rick Grant Jones, Various Religious Topics, "Books of the Septuagint," (Accessed 2006.9.5).
- ↑ Ver Livros da Bíblia
- ↑ The Canon Debate, McDonald & Sanders editors, chapter by Sundberg, page 72
- ↑ significa "setenta" em latim (daí a abreviação LXX)
- ↑ a b Jennifer M. Dines, The Septuagint, Michael A. Knibb, Ed., London: T&T Clark, 2004
- ↑ Joseph Ziegler, "Der griechische Dodekepropheton-Text der Complutenser Polyglotte," Biblica 25:297-310, cited in Würthwein. Apud en:Septuagint;
Koiné
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História da |
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Micênico (c. 1600–1000 a.C.) |
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Grego antigo (c. 1000–330 a.C.) |
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Koiné (c. 330 a.C.–330 d.C.)* |
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Grego medieval (330–1453) |
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Grego moderno (a partir de 1453)
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O grego helenístico ou koiné (no grego moderno Ελληνιστική Κοινή[1], literalmente "koiné helenístico", ou Κοινή Ελληνική, AFI: [kʲiˈni eliniˈkʲi], "koiné grego", também conhecido como ἡ κοινὴ διάλεκτος, AFI: [i kʲiˈni ðiˈalektos], "o dialeto comum") é a forma popular do grego que emergiu na pós-Antiguidade clássica (c.300 d.C – AD 300). Outros nomes associados são alexandrino, patrístico, comum, bíblico ou grego do Novo Testamento. Os nomes originais foram koiné, helênico e macedônio (macedônico).[2][3] Desenvolveu-se a partir do dialeto ático, falando na região da Ática (onde se encontra Atenas), embora tenha grande influência de elementos do jônico
O koiné foi o primeiro dialeto comum supra-regional na Grécia, e chegou a servir como um língua franca no Mediterrâneo Oriental e no antigo Oriente Próximo ao longo do período romano. Foi também a língua original do Novo Testamento da Bíblia e da Septuaginta (tradução grega das escrituras judaicas).[4] O koiné é o principal ancestral do grego moderno.
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História
O grego koiné surgiu como um dialeto comum nos exércitos de Alexandre o Grande.[4] Foi sob a liderança da Macedônia que colonizaram o mundo conhecido, seu dialeto comum recém formado foi falado do Egito até as margens da Índia.[4] Embora os elementos do grego koiné tenham tomado forma durante a Era Clássica posterior, o período pós-clássico do grego da morte de Alexandre o Grande em 323 a.C., quando as culturas oscilaram sob o helenismo, começou a influenciar a língua. A passagem para o próximo período, conhecido como grego medieval, data da fundação de Constantinopla por Constantino I em 330 d.C.. O período pós-clássico do grego, portanto, refere-se à criação e evolução de todo o grego koiné e toda era helenística e romana da história até o início da Idade Média.[4]
Nomenclatura
Koiné (Κοινή), "comum", é um termo que tinha sido anteriormente aplicado pelos antigos estudiosos de diversas formas de expressão grega. Uma escola de estudiosos que Apollonius Dyscolus e Aelius Herodianus mantiveram o termo Koiné para se referir a língua protogrega, enquanto outros usaram para se referir a qualquer forma de expressão no vernáculo grego, que diferia da linguagem literária.[4] Quando o Koiné gradualmente tornou-se uma linguagem da literatura, algumas pessoas distinguiram-no em duas formas: (grego) helênico como a forma literária pós-clássico, e (comum) koiné como a forma falada entre o povo.[4] Outros optaram por se referir a Koiné como o dialeto alexandrino (Περὶ τῆς Ἀλεξανδρέων διαλέκτου) ou o dialeto de Alexandria, um termo usado frequentemente por clássicos modernos.
Raízes
As raízes linguísticas do dialeto grego comum estão evidentes desde os tempos antigos. Durante a era helenística, a maioria dos estudiosos pensava que o Koine era o resultado da mistura dos quatro principais dialetos do grego antigo, "ἡ ἐκ τῶν τεττάρων συνεστῶσα" (Composição dos quatro). Esta visão foi apoiada no início do século XX pela lingüista austriaca P. Kretschmer, em seu livro "Die Entstehung der Koiné" (1901), enquanto o estudioso alemão Wilamowitz e o lingüista francês Antoine Meillet, baseados nos intensos elementos jônicos do koine - como σσ em vez de ττ e ρσ em vez de ρρ (θάλασσα - θάλαττα, ἀρσενικός - ἀρρενικός) - considerou-se o koiné como uma forma simplificada de jônico.[4] A resposta final, que é acadêmicamente aceito hoje, foi dada pelo lingüista grego G. N. Hatzidakis, que provou que, apesar da "composição dos quatro", o "núcleo estável" de grego koiné é ático. Em outras palavras, o grego koiné pode ser considerado como a mistura de elementos especialmente jônicos, mas também de outros dialetos. O grau de importância de elementos lingüísticos não-áticos no Koine pode variar dependendo da região do mundo helenístico.[4] A este respeito, as variedades de koine falado nas colônias jônicas da Ásia Menor e Chipre teria características mais intensamente jônicas do que outras. A literária koiné da época helenística assemelha-se ao ático em tal grau que é frequentemente mencionada como ático comum.[4]
Fontes
Os primeiros estudiosos que estudaram o koiné, tanto no período alexandrino e contemporâneo, foram clássicistas cujo protótipo tinha sido a literária língua ática do período clássico, e deveria cerrar sobre qualquer outra classe de linguagem helênica. O grego koiné foi, portanto, considerada uma forma decadente do grego, que não era digna de atenção.[4] A reconsideração sobre a importância histórica e linguística do grego koiné começou apenas no início do século XIX, estudiosos de renome, realizaram uma série de estudos sobre a evolução do koiné em todo o período helenístico e romano que ele abrangiu. As fontes utilizadas nos estudos do koine têm sido numerosas e de confiabilidade desigual. As mais significativas são as inscrições dos períodos pós-clássico e os papiros, por serem dois tipos de textos que têm conteúdo autêntico e podem ser estudados diretamente[4]. Outras fontes importantes são a Septuaginta, uma tradução grega mais ou menos literal do Antigo Testamento, e o Novo Testamento, partes do qual pode ter sido traduzido do evangélio hebraico por Jerônimo (ou outros) com regras semelhantes às dos tradutores da Septuaginta. O ensinamento do Novo Testamento visava o povo mais comum, e por essa razão que ele usa a linguagem mais popular da época. Informações também podem ser derivadas de alguns estudiosos aticistas dos períodos helenístico e romano, que a fim de combater a evolução da linguagem, publicaram obras que comparam o supostamente "correto" ático contra o "errado" koiné, citando exemplos. Por exemplo, Phrynichus Arabius durante o século II d.C escreveu:
Βασίλισσα οὐδείς τῶν Ἀρχαίων εἶπεν, ἀλλὰ βασίλεια ἢ βασιλίς.
Basilissa (Rainha) nenhuma dos Antigos disse, mas Basileia ou Basilis.
Διωρία ἑσχάτως ἀδόκιμον, ἀντ' αυτοῦ δὲ προθεσμίαν ἐρεῖς.
Dioria (prazo) está mal escrito, em vez disso usa-se Prothesmia.
Πάντοτε μὴ λέγε, ἀλλὰ ἑκάστοτε καὶ διὰ παντός.
Não se diz Pantote (sempre), mas Hekastote e Dia pantos.
Outras fontes podem ser baseadas em resultados aleatórios, tais como inscrições em vasos escritos por pintores famosos, erros cometidos pelos aticistas devido ao seu conhecimento imperfeito do puro ático, ou mesmo algum sobrevivente glossárico grego-latino do período romano[5], e.g:
Καλήμερον, ἦλθες;
Bono die, venisti?
Bom dia, você veio?
Ἐὰν θέλεις, ἐλθὲ μεθ' ἡμῶν.
Si vis, veni mecum.
Se você quiser, venha conosco (O latim diz realmente comigo, e não nós).
Ποῦ;
Ubi?
Onde?.
Πρὸς φίλον ἡμέτερον Λεύκιον.
Ad amicum nostrum Lucium.
O Tanakh e o Antigo Testamento
A divisão refletida pelo acrônimo Tanakh está atestada em documentos do período do Segundo Templo e na literatura rabínica. Durante aquele período, entretando, o acrônimo Tanakh não era usado, sendo que o termo apropriado era Mikra ("Leitura"). Este termo continua sendo usado em nossos dias, junto com Tanakh, em referência as escrituras hebraicas.
No hebraico moderno, o uso do termo Mikrá dá um tom mais formal do que o termo Tanakh.
De acordo com a tradição judaica, o Tanakh consiste de vinte e quatro livros. A Torá possui cinco livros, o Nevi'im oito e o Ketuvim onze.
Esses vinte e quatro livros são os mesmos livros encontrados no Antigo Testamento protestante, mas sua ordem é diferente. A enumeração também difere: os cristãos contam esses livros como trinta e nove, pois contam como vários alguns livros que os judeus contam como um só.
O termo Velho Testamento, apesar de comum, é muitas vezes considerado pejorativo pelos judeus, pois pode ser interpretado como inferior ou antiquado.
O termo Bíblia hebraica é adotado por alguns estudiosos para indicar que existe uma equivalência entre o Tanakh e o Antigo Testamento, tentando evitar algum sectarismo.
Os Antigos Testamentos católico e ortodoxo contêm seis livros que não estão incluídos no Tanakh. Eles são chamados "Deuterocanônicos", ou seja, foram canonizados em segundo ou mais tarde, mais precisamente durante a contra-reforma. Todavia, tais livros sempre fizeram parte da literatura hebraica, sendo estudados nas sinagogas, tendo um estimado valor dentro do judaísmo e para a história de Israel, como é o caso de I Macabeus e II Macabeus, os quais narram a heróica resistência ao helenismo na Palestina.
Nas bíblias das Igrejas Católica Romana e Ortodoxas, Daniel e o Livro de Esther podem incluir material deuterocanônico que não está na Tanakh ou no Antigo Testamento protestante.
Línguas
Rolo de Torá
A maior parte dos livros do Tanakh estão escritos em hebraico. Partes de Daniel, Esdras, uma sentença em Jeremias e um topônimo no Gênesis estão em aramaico, mas com escrita hebraica.